E pode haver em um único sol

Milhões de horas

Para a poesia que aflora

Transformar o meu espírito...

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pedra Voadora

.


A noite serena
Grita em meus tímpanos
Entorpecidos
Pelo torpe cheiro de alfazema
Exalado
De uma sensação estranha
De inquietude existencial...


E um gárgula
Pousado em minha janela
Fechada
Sorri pra mim
Como quem diz:

Voa
Mesmo sendo de pedra!


~ : : ~






segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Rotações Estáticas

.


Matei um gato.

Não foi culpa minha. Ele correu na direção do meu carro. Amo animais. Ironicamente... Amo! Mas, eu não consigo escrever sobre isso. Quis muito falar. Uma maneira de dizer a ele - o gato atropelado - que não tive a menor intenção de fazê-lo sofrer. Nem tampouco matá-lo. Mas, não houve tempo. Um olhar para o lado. Um gato correndo. Feliz. Brincalhão. Uma colisão. Um solavanco. O veredicto do retrovisor. A morte. O corpo. Asfalto fervente. E os outros carros vindo atrás me impedindo de parar. Não parei. Chorei. Quis dizer a ele que sentia muito. Mas não pude. Não consegui. Paralama quebrado. Coração dolorido. Lágrimas impotentes.

Não consigo escrever sobre isso.

O dia começara bem. Noite feliz abraçado ao corpo que eu desejava estar ali comigo. E estava. Passara a noite toda. Sorrisos de bom dia. Sol nascendo calmo. Anúncio de dia tranqüilo. Sereno. Pacífico. Feliz. E nem imaginei que o dia também me traria um encontro com a morte. Corri. Matei. Sofri. Não quis fazer, mas fiz. E não é possível voltar lá e reanimá-lo... E quantas coisas na vida são assim? Quando se olha pelo espelho o que está estirado na estrada da existência são corpos de coisas que atropelamos e não conseguimos ressuscitar.

Não consigo escrever sobre isso.

Tentei fazer poesia desse acontecimento. Não pude. Pensei em conto, crônica, soneto, hai-kai, repente, canção... E não consegui produzir absolutamente nada. Sequer uma linha. Quero exorcizar o fantasma daquele gato do meu coração. Para descansar em paz. Ele. E eu. Mas, ele não vai embora. Fica entrelaçando minhas pernas. Fazendo carinho. Ronronando. E o sentimento que carrego é o de culpa. O gosto de sangue nas mãos ao volante. O corante. O rubro visgo das lágrimas arrependidas de quem não tinha nada - absolutamente - nada o que fazer.

E não consigo escrever sobre isso.

Só penso.

Todos os dias.

Penso.

É só um gato. Mas não é simples assim. É o ato. O fato. E isso basta para ser assim. Ouço psicodelicamente a voz daquele gato sentado no banco do carona, ao meu lado, me ensinando coisas da vida... Enquanto dirijo. Olho para o lado, ele está usando o sinto de segurança, óculos escuros, cigarro aceso queimando ao sabor do vento, pata para fora da janela aberta, pernas cruzadas e uma feição muito madura de quem está prestes a ensinar lições da vida. E ensina. Ensina-me. E não descansa. Não segue em frente. Não me deixa acalmar minha consciência. Há lições a aprender. Sobre isso. Sobre correr demais. Sobre onde querer chegar. Sobre o que há à beira da estrada. Sobre horizontes. Sobre rotações estáticas. Aquelas em que alguém roda, roda e não sai do lugar. Mas, não ouço a voz daquele gato. O que matei. Em uma estrada ao sol do meio-dia. E nunca mais passo por lá sem vê-lo ao meu lado. De carona! Prestes a me ensinar. Mas, não me ensina. Eu tento. Eu peço. Porque assim, talvez, minha culpa morra com ele. Mas não morre. Minha culpa sim tem sete vidas. Aquele gato não.

E não consigo escrever sobre isso.



sábado, 4 de agosto de 2012

Baldio

.


O amor é caminhante, andarilho
Em meu coração antes tão baldio
E tão urgente a vontade da aurora
Em sua demora que o sorriso chora


O sol ganha verdadeiro sentido
E a noite, somente trocadilho
Musa bela de versos e estribilhos


Estrelas cadentes viajantes na ilusória escuridão
Dão colorida surpresa em sutil devoção


Que não amedronta, mas engrandece...






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