E pode haver em um único sol

Milhões de horas

Para a poesia que aflora

Transformar o meu espírito...

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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Bruta!


Crédito da Fotografia: Whesley Fagliari


Gosto da brutalidade da vida.
 
 
 Que seca as folhas.
 Mas traz o broto.
 
 Que finda as paixões.
 Mas permite o amor.
 
Que desassombra o descanso.
 Mas prepara a colheita do fruto.
 
 Que destelha o abrigo.
 Mas fortalece os caminhos.
 
 Que fragiliza a flor.
 Mas rega a semente.
 
 Que desgoverna meu coração.
 Mas amanhece o aprendizado.
 
 

sábado, 5 de setembro de 2015

Epifania (Demoras Ancestrais)

 
Fonte da Imagem: Google Imagens - Tema: Metafísica
 
Não vou morrer de meras fantasias
Não! Eu vou ser tragado por cruezas
Pela carne viva pulsando em sangrias.
Necessito da urgência das belezas

Não aquelas de vitrine, tão perfeitas
Plásticos com sabor de nada, vaidade.
Mas, as repletas de erros e refeitas
Com carga colorida de humanidade!

Amanhã é um tempo longe demais,
Nunca chega! E demoras ancestrais
Transformam brisas em vendavais!

Em mim há uma dimensão epifânica
Astronômica, quixotesca, nuclear
Ultra-sônica, novelesca, estratosférica!

Um ser exaurido e exausto de si
Que se recusa a sucumbir!

Só por isso! Somente assim!
 
 
 
 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A Pressa da Mente


Crédito da Fotografia: Whesley Fagliari


Muito mais que de repente

Desperta-me um detalhe

Um minúsculo centímetro...

Ou dois... Tá! Talvez três 

De vermelho um intenso
 

No (meu) mundo estrangeiro

 Imediatamente ali fora

Da (minha) janela espiando

Observatório silencioso

Olhando-me bem fundo

Nos olhos da alma dos olhos

Nos meus olhos distraídos


 Ah! Um visitante forasteiro

 Viajante nômade aventureiro

Colocou meus pensamentos

Descompassados a funcionar

Mais do que apressadamente!

A pressa da mente me mente!


 Aquele pequenino veio me mostrar

 Que o que é gigante que ele tem

Nas asas a deslumbrar no ar

Eu tenho a me desacalmar no olhar:

A imensidão do poder de voar!

 

 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

FoTopOeMa!


Crédito da Foto: Whesley Fagliari
 
O dia parecia bravo
 
Mas havia luz.
 
O céu parecia triste
Mas tinha paz.
 
O sol parecia distante
Mas era só descanso.
 
O pássaro parecia folha seca
Mas era só silêncio.
 
A árvore parecia morta
Mas era só disfarce.
 
Crédito da Foto: Whesley Fagliari

sábado, 16 de maio de 2015

FoTOpoEMa!


Crédito da Fotografia: Whesley Fagliari


A minha
Necessidade
De silêncio
já desgastou
As musicas
Que ouço

A minha
Capacidade
De voar
Já arranhou
A liberdade

A minha
Lucidez
Desmedida
Já comprometeu
Meus horizontes

O que vejo
E percebo
Já são
Outra coisa


Crédito da Fotografia: Whesley Fagliari


~ : : ~

Salve, Amigos da Sofia!

Hoje trago um pouco mais da minha paixão em fotografar. Registrar momentos, inspirações, imagens, cenários. Poesia visual que alimenta também a minha alma com encantos que não precisam explicar. São autoexplicativos! São quase autossuficientes... A única coisa que lhes falta é um espectador. Um olhar cuidadoso, curioso. Uma alma sedenta de beleza não estética... E pelo caminho lá estou eu. Perdido entre um pensamento e uma emoção, mas com minha câmera na mão. Que a alma de quem por aqui passar seja tão completamente tocada como a minha.

Luz e Paz!

domingo, 29 de março de 2015

Eu Também Me Rendo, Pequena!




Um fotógrafo capturou nesta sexta-feira (27), na Síria, a imagem de uma criança que se rendeu em frente sua câmera. Segundo informações do site Huffington Post, a pequena levantou os braços ao confundir a câmera com um rifle. O fotógrafo que registrou a imagem queria retratar a realidade das crianças sírias, e não imaginou que a menina iria pensar que ele estava apontando uma arma para ela. (Fonte: Site R7)

~::~

Eu também me rendo ao dissabor

Eu também me entrego à luta

Eu também quero sorrir até na dor

Eu também preciso manter reta a conduta.



Eu também me rendo à sua inocência

Eu também me curvo à sua luminosidade

Eu também defendo seu direito à infância

Eu também sofro pela ausência da dignidade.



Eu também sinto falta da tolerância, da pureza

Eu também me curvo cansado de brutalidade

Eu também cultivaria um jardim de gentileza.



Eu também lamento o seu e o meu pavor

Eu também sofro pelo ódio matando o amor

Eu também me rendo e quero um mundo melhor.


















sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

As Voltas das Chaves




 O poeta
E o carcereiro
Têm
A mesma função:

Abrir
E fechar
As celas
Com suas chaves
Nas mãos..

O carcereiro
Trancafia
Maldades
Humanas
Mazelas.

O poeta
Liberta
Os versos
As rimas..


A pessoa na imagem está saindo ou está entrando?
 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

FoTOpoEMa!


 Alameda Dominical / Crédito da Foto: Whesley Fagliari



Há em mim uma lembrança imensamente boa do que não vivi, mas desejei. Caminhar pelas ruas em um domingo a tarde me faz prestar atenção ao bucólico farfalhar dos meus sentimentos dançando entre si... Todos tão serenos e seguros.. E o sorriso é só a pista de dança! Observar e Aprender!


 ~ : : ~


Salve, Amigos da Sofia!

Hoje inauguro aqui no blog o espaço "FoTOpoEMa". Esporadicamente vou publicar no Amigo da Sofia uma fotografia de minha autoria associada, ou não, a algum texto, ou poema, ou trecho de livro, canção etc. A ideia é expressar a poesia que percebo ao fotografar. Fotografia é uma paixão muito forte em minha alma. Então, decidi unir duas das minhas paixões: fotografia e poesia. Espero que gostem. Eu amei! Comentem, por favor; expressem suas preciosas opiniões!



Luz e Paz!



sábado, 24 de janeiro de 2015

Porque Hoje é Hoje!






 "Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar." 
Nando Reis e Roberta Campos

Porque hoje
eu preciso dizer
que amo muito você,
eu vou dizer!

Porque hoje
eu quero pensar que
estou com o meu coração
quentinho por você,
eu vou pensar!

Porque hoje
eu quero sorrir
para espantar
a distância,
eu vou sorrir!

Porque hoje
eu quero lembrar
dos nossos momentos
e agradecer,
eu vou lembrar!

Porque hoje
eu quero sonhar
com nossa velhice
juntos,
eu vou sonhar!

Porque hoje
eu quero fazer amor
com você
mesmo em pensamento,
eu vou fazer!

Porque hoje
quero escrever
a sua importância
na minha vida,
eu vou escrever!

E hoje,
só porque é hoje
que a saudade
está bravia,
vou soletrar:

A - M - O - V - O - C - Ê - !


 ~ : : ~


 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Mulherzinha!


________________________________
 
Sugiro que leia o texto ouvindo a música do vídeo abaixo!




Ele colocou aquelas luvas como se fosse um maestro famoso se preparando para uma grande apresentação e, depois, aplausos. Mas eram luvas de combate. E ele era um homenzarrão de dois metros de altura. Quase cem quilos de massa corporal. Seus ouvidos  não eram refinados por notas musicais.Suas orelhas eram grossas de pancada. As da vida e as da luta. Do esporte que escolhera. Mais ou menos. Quem escolhera por ele foi seu irmão mais velho. Dizia que macho dá porrada. Dá socos e pontapés. Vai para o baile e "pega geral a mulherada".
E, inacreditavelmente, ele só queria sorrir. As pancadas não deixavam. As da vida e as da luta. E ele queria aprender a tocar violino. Chorava todas as vezes que ouvia. Que ouvia sozinho. Porque seu irmão ficava bravo se visse manifestações de emoção. De sua parte, pelo menos. Falava asperamente que aquilo era coisa de mulherzinha. Você tá parecendo uma mulherzinha! E ele não entendia por que aquilo sempre era um insulto. Qualquer manifestação de sensibilidade demonstrada era seguida imediatamente por essa frase tão penosa.
A mãe deles era mulherzinha.
A esposa do seu irmão era mulherzinha.
As três irmãs eram mulherzinhas.
A primeira sobrinha nascida há dois meses era mulherzinha. Linda. Doce, Meiga. Brilhante. Exatamente como a música do violino que ele tanto queria aprender. Como aquilo poderia ser ruim, de algum modo? 
E porque classificar tão mediocremente como "mulherzinha" somente para denegrir?
Não era a emoção da musica que degenerava ao som daquele insulto. Eram todas as mulheres que ele amava. Que o amavam também. Que lutaram, muito mais do que ele, e se  sacrificaram nesse mundo para tornar esse planeta mais humano. Mais habitável. Juntando todas as mulheres que também reproduziam esse discurso fálico centralizador. Inclusive as intelectuais, estudadas, que chegavam em casa e, na presença do marido-alfa, reduziam-se a "mulherzinha". Autodegradavam-se tão conformadas. E aceitavam. Ele não queria aceitar. Ele era um lutador. No sentido estrito da palavra. E no aspecto amplo também. Vencia brutamontes na força do braço e na destreza da técnica. Mas tinha um coração. E era sensível. E gostava de chorar diante de algo belo. Isso o  fazia pensar que estava vivo. E não se sentia menos homem por isso. Não se tornava menor ou menos viril.
Respeitava e admirava a delicadeza feminina. Sabia como tratar uma mulher sem precisar subjuga-la. Sua grandeza era na alma. No caráter. E por que isso não contava mais nos dias que se seguiam? Porque seu irmão, grosseiro e tacanho, mandava sua esposa calar a boca e ir para a cozinha? e por que ela o obedecia? Porque ela era mulherzinha! Ela aprendeu que tinha que ser assim. E ele, seu irmão estúpido e mal educado, era o macho da casa que coçava suas partes íntimas sem o menos constrangimento na frente de quem fosse.
Desde muito criança ele ouvira seu irmão falar que tinha que ser homem.
Mas, isso era uma sentença proferida da pior maneira.  E a mãe deles, inacreditavelmente, concordava e dizia o mesmo. Também tinha aprendido dessa maneira.
E ele lutou.
Não contra o que está posto na cabeça da maioria das pessoas. Não contra a sociedade impregnada em seu irmão. Mas contra si mesmo. Quando lia algum verso e ficava com vontade de ler outros do mesmo autor. Na sua mente, rapidamente, se desenhava: mulherzinha! E ele ia para a academia e treinava dobrado. E batia. E golpeava seu treinador. Lutava contra sua alma refinada quando passava por uma praça pública florida e tinha vontade de se sentar para admirar o jardim. Mulherzinha! E chegava em casa e mandava seu irmão caçula calar a boca se o incomodasse com alguma queixa. Ruidosamente, gritava "cala a boca"! Mas, não era para seu irmãozinho. Era para sua própria consciência que o cobrava a não-visita às flores da praça.
Certa vez gravou algumas músicas instrumentais de violino em seu aparelho de mp3. E corria na esteira da academia se deliciando com aquela melodia. Mas, seu coração sempre disparado com o mesmo pavor de um criminoso que será surpreendido pela polícia a qualquer momento diante do cadáver de sua vítima. Com o passar do tempo ele relaxou. Era só fones de ouvido. Não eram armas. Não estavam apontadas para seu próprio peito. Não havia risco algum. E, pela primeira vez em sua vida, ele pode simplesmente deixar seu espírito ser o que sempre quis ser: livre. Aquela música o libertava. E ele corria. O irmão certa vez perguntou vociferando porque ultimamente ele corria tanto na esteira. Ele respondeu friamente que era para ganhar agilidade e flexibilidade para lutar. E ele quase conseguia ver seu irmão mais velho derramar sangue pelos olhos. E dizia: Isso! Tem que acabar com seus adversários. Tem que machucá-los pra valer. Tem que bater muito. Não pode ser mulherzinha e dar mole. Macho que é macho não come o mel, mastiga a abelha, rapaz!  E os dias se passaram. Finalmente conseguiu encontrar a maneira de agradar seu irmão, macho, chefe de família, forte e implacável, e seu espírito, doce e sensível, que não via nenhum problema em ser assim. Mulherzinha! 

 


Clarice




Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector


Quero um livro.
Novo para ler.

Quero um destino.
Outro para ter.

Quero um amor.
Tanto para viver.

Quero um lugar.
Além para conhecer.


O cigarro acabou.
Fumei tudo.

A palavra deteriorou.
Lápis mudo.

O vinho evaporou.
Cálice morto.

A esperança morreu.
Horizonte escuro.


Mas Clarice nada disso.
Ainda aqui viva. Pulsante.





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