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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Carta Enviada ao Mar!




Meu pai,

Como vai a vida? Espero que esteja com saúde e bem.
Imagino a sua surpresa ao receber uma mensagem minha. Já faz muito tempo que estou querendo te escrever, mas, deixei a idéia amadurecendo dentro do meu coração até que eu estivesse pronto. E aqui estou. Há muita coisa a ser dita e não sei bem como ordenar os pensamentos no papel de forma clara, mas, vou tentar assim mesmo.
Bem, vou começar lhe contando como está a minha vida.
Estou estudando e trabalhando muito. O curso de Filosofia é muito puxado, pois exige muita leitura e raciocínio, enfim, dedicação absoluta. Mas, estou super feliz com o curso que estou fazendo e, a cada novo dia que Deus me permite viver, me apaixono ainda mais pelo mundo do conhecimento. Tenho plena certeza de que encontrei o meu caminho e estou trilhando-o passo a passo com muita fé e garra. Apesar de todas as adversidades e reveses da vida estou tentando aproveitar o máximo que posso dessa oportunidade maravilhosa que tive de estudar em uma ótima universidade pública. E toda essa determinação se reflete no meu aproveitamento, no meu rendimento em relação a tudo o que estou aprendendo. Fechei o ano de 2005, o meu primeiro ano de universidade, entre os cinco primeiros alunos da minha sala. Isso mesmo: entre os cinco melhores da minha sala. Passei direto em todas as disciplinas e não peguei sequer exame. Isso para mim foi muito importante. Estou contando isso não por vaidade ou para me gabar, mas, porque isso é resultado de um ano árduo de muita labuta e dedicação.
Estou tentando crescer espiritualmente o máximo que eu posso, pois acredito que esse é o sentido de estarmos aqui e passarmos por tudo o que passamos: crescer espiritualmente e como pessoa.
É isso, pai, estou distante e lutando muito.
Prometi para mim mesmo que nesta carta não falaria das coisas que passaram. Mas, é inevitável. Sei que muita coisa entre nós dois ficaram pendentes e mal-resolvidas. Sei também que muitas vezes fui muito duro contigo. Sei que sou o seu filho mais turrão e cabeça dura. Sei que dos seus quatros filhos, provavelmente, eu seja o mais parecido contigo e justamente por isso o filho que mais te questionou, te cobrou e foi duro contigo. Tenho consciência de muitas outras coisas, que se eu escrevesse daria um livro. O livro das nossas vidas. Um dos motivos que estou aqui, através desta carta, me abrindo é o seguinte: preciso fazer a diferença. Preciso ser aquele que dá o primeiro passo rumo aos objetivos necessários. E aqui estou para te pedir PERDÃO. Sim, perdão sim. Pelas vezes em que fui egoísta e não pensei nos seus sentimentos. Pelas vezes que senti raiva ou rancor atrapalhando assim a minha e a sua vida. Pelas vezes em que tive vontade de te abraçar, mas não tive coragem. Pelas vezes que quis te perdoar, mas não tive sabedoria. Pelas vezes que precisei de um pai presente, mas não soube valorizar o que eu tinha ao meu alcance. Pelas vezes que tu precisaste de um filho para te ouvir ou te dar carinho, mas eu não estava acessível. Por todos os abraços que tanto eu quanto você ficamos esperando que o outro desse e assim passamos a vida sem abraços. Pelas vezes que quis chegar até o seu coração, mas errei o caminho. Enfim, meu pai, por tudo o que eu fiz de errado ou simplesmente deixei de fazer até hoje. Não sei se amanhã estaremos vivos para saber. Então decidi não ir dormir mais esta noite sem te dizer tudo o que eu preciso. E eu preciso te dizer que em meu coração já não existe mais nenhum ódio, nenhum rancor, nenhuma raiva, nenhuma mágoa. Absolutamente nada. E é por isso que estou aqui agora para te dizer tudo isso. Quando eu vim embora para o Paraná, a última coisa que eu te falei foi que ainda dava tempo para consertarmos as nossas vidas. E continuo acreditando nisso. O passado é escola, o presente é oportunidade, o futuro é superação. O meu coração realmente mudou sob alguns aspectos e agora estou com a minha alma leve para te dizer tudo isso.
Se algum dia você me permitir ainda vou cuidar de ti, assim como quero muito cuidar da minha mãe e dos meus irmãos.



                           Um beijo do seu filho Whesley


.::.
 

E-mail escrito em 13 de Janeiro de 2006.


Um comentário:

  1. ë sempre tempo de fazer as pazes,é sempre tempo de reinventar a vida...é sempre tempo de aceitação e carinho.Que Santa Sara te dê caminhos cada vez mais claros e cheios de felicidade!Beijos com perfume de lírios brancos!

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