E pode haver em um único sol

Milhões de horas

Para a poesia que aflora

Transformar o meu espírito...

Atualizações do Amigo da Sofia em seu e-mail. Cadastre-se!



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

domingo, 29 de março de 2009

O Príncipe Poeta da Apae



Normalmente só estou postando coisas que eu
escrevi, pois, sei exatamente o que elas querem dizer e, assim, posso arcar com todas as consequências das minhas palavras. Este poema, entretanto, chegou em meu correio eletrônico e me emocinou muito. Ele foi escrito por um aluno da APAE de excepcional sensibilidade. Ele tem 28 anos, com idade mental de 15.




Grãos de areia

Espero que meus versos consigam chegar,
Aonde têm que chegar.
Que meu sorriso mesmo distante,
Afaste as lágrimas do seu olhar.
É duro viver, mas você pode superar.
E com certeza, estrelas irão brilhar
pelos caminhos que você passar.
Existe fé no sorriso do seu olhar,
Pois você acredita na vida que está dentro de você.
Na fonte da esperança, você bebe a sede de amar.
Vem a noite como um cobertor e o leva a deitar,
Pois o sol da manhã precisa adormecer e você viver.
Caminhe na esperança de um novo amanhecer.
Se a vida o magoou, aprenda a superar.
O sorriso renascerá, num afago da noite que cairá.
Este é apenas um momento que você tem que passar.
Os meus versos irão chegar, aonde têm que chegar.
Quando sua cabeça nos seus ombros pesar,
Os meus versos serão os braços de apoio para você descansar.
Enxugue as lágrimas no seu olhar.
São versos de amor para uma pessoa que eu sei
Que nunca esqueceu de amar.
Procure em sua vida, o brilho de uma estrela,
Pois eu estarei lá.
Quando um sonho terminar,
É sinal que outro irá começar.
Levante a cabeça, e lembre-se sempre:
- Que você é grande!
Por mais que um grão de areia venha cegá-lo,
Eu quero ser mais que um poeta.
Quero ser uma lágrima, para aquele grão de areia,
Dos seus olhos tirar.
Lembre-se de mim em cada verso, em cada momento,
Que você tiver que passar.
Por mais que a solidão venha,
Sozinho você nunca estará.
Serei sua alma amiga,
Pois como uma lágrima,
Escorrerei do seu olhar.



Alexandre Lemos, O Príncipe Poeta

sexta-feira, 20 de março de 2009

Soneto de Amor à Rainha


Escrevi este soneto em homenagem à cantora Daniela Mercury quando estava na expectativa de assistir o show Balé Mulato que ela fez no final do ano passado na cidade de Cascavel (PR). Uma artista moderna que celebra suas raízes, a cultura do seu país e a exultação constante da arte que domina, seu ofício. Já acompanho a carreira da Daniela há muito tempo e pude, ao longo desses anos todos, perceber o quanto um artista pode se renovar e superar seus próprios desafios quando o que lhe interessa, de fato, é a arte que lhe alimenta a alma... Salve Daniela! Salve seu talento e a poesia que há em sua voz!




Eu gosto de você autêntica

Do jeito que é o amor

Porque sinto você idêntica

Igualzinha ao melhor do que sou...

.

Quero assim dizer o que me tocou

O que me faz o amor e você

Você elétrica e você romântica

Você humana é o que mais me encantou...

.

Sua arte, seu coração, sua parte

Tantas de outras mil

Tantas de um sorriso tão gentil...

.

Sua majestade é natural

Seu brilho tão intenso e cativante

Que autêntico e romântico e humano leva adiante...


Bartô!

O Bartô chegou

Repentinamente

Definitivamente

E apropriou-se

Do amor

Que foi tão imediato

Tão irrequieto

Tão permanentemente e direto

Quanto um gato...


Chegou o Bartô

Egípcios traços

Olhos felinos

Ligeiros laços

Que emocionam

Hipnotizam

Arrepiam

E ensinam como é simples o amor

Intenso, real, exótico... Bartô!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Atalhos



Quando percebi a minha identificação com a poesia dentro de um contexto de expressão e linguagem comecei a processar tudo o que escrevia de maneira a compilar os poemas em forma de livro. Neste momento percebi o quanto é difícil evocar os anjos e os demônios que vivem dentro de nós para deixá-los voar embora. O que se segue foi uma tentativa de redigir o que seria o prefácio do meu livro cujo título é Atalhos.

Por que será que precisamos catalogar, classificar, agrupar, nomear e rotular o que sentimos ou o que fazemos? De onde vem esta necessidade de fazer caber em um molde pré-fabricado todos os sonhos e sentimentos que nos chegam livres? Ontem a noite conversei demoradamente com alguém muito importante em minha vida. Já era tarde da noite. Quase madrugada. Conversamos sinceramente sobre vivências anteriores de um e outro. Falamos da vontade de deixar as coisas serenas onde ainda existe tanta ventania. Lágrimas surgiram. Mas, a luz também veio. Desde muito novo, ainda criança, o ser humano – e nesta classificação (olha só ela aqui outra vez!) estou inserido – sempre me instigou o pensamento. Atitudes. Sentimentos. Formas de conduzir a própria vida. As coisas que não podemos ver, mas, podemos sentir. O que queremos explicar sem conseguirmos entender. O que deveríamos simplesmente experimentar. As escolhas que fazemos. E as que não fazemos também. Os caminhos que trilhamos. As histórias que escrevemos. Os mitos que inventamos para servirem de alicerces firmes e sadios para as nossas convicções. O modo como precisamos de garantias. As ilusões alimentadas. As oportunidades perdidas. As vozes e palavras sufocadas. Os talentos e projetos que engavetamos para “mais tarde”. As missões que pedimos e depois não agüentamos. A arrogância pré-adquirida. A superioridade fantasiosa. A fábula que esperamos para viver sem perceber que já estamos nela (e ela está passando). Enfim, muitas coisas me incomodam. Muitas! Quantas rosas desabrocham sem nos darmos conta. Quantas estrelas despencam sem nem sequer ter sido notadas. Quantos sorrisos nós abortamos. Quantos abraços nós negamos. Quanta destruição nós provocamos com o nosso julgamento. Quantos olhares nós poderíamos aplicar como bálsamo na recuperação de várias almas desencantadas. Quanto tempo nós passamos atribuindo importância para tudo aquilo que não nos interessa, de fato... Por que tanto despreparo? Por que tanta indecisão, insegurança e covardia? Estou aqui para aprender. E me propus a fazer isso, a me comportar assim. Algumas vezes também estou cansado. Outras tantas estou exausto. E é justamente aí que devo ser forte e vigilante. Não vou viver esperando ser atacado pela inercia que ronda peçonhenta. O fogo que mantenho aceso em meu coração é sagrado, é vivo. E é justamente por isso que abri o peito, fechei os olhos e soltei a caneta. Percorri atalhos! Os atalhos são pontes que não só ligam duas margens, mas, também deixam explícita a sua distância, o seu distanciamento. Porque se há uma ponte também há um rio precisando ser transpassado pela superação de alguém que se dignou a conhecer os seus dois lados, as suas duas margens. Rios são caminhos e caminhos correm como rios... Para onde corre o caminho que leva a sua jangada? Ao contrário do que comumente está aceito, um atalho não é, necessariamente, um encurtador de distâncias. Antes disso e muito mais além, atalhos são caminhos alternativos. Percursos trilhados passo a passo. Pegada por pegada. Cada atalho é uma história vivida. Cada pegada uma emoção tatuada. Cada pedra pisada e uma lágrima caída também fazem parte da beleza da paisagem. E cada atalho tem o seu horizonte... Sou um animal racional por classificação (de novo!) genérica e uma criatura emocional por natureza que se alimenta dos atalhos que ainda não descobriu. Dos horizontes que não fotografou. Dos grãos de areia da estrada que percorreu. Dos sorrisos que colheu ao longo do caminho. Das flores que conseguiu observar. De cada instante que viveu e aprendeu a ouvir, com isso, o próprio “eu”. E daquela conversa de ontem a noite ficou as vontades insanas de viver, de compartilhar, de aprender, de sonhar, de realizar, de caminhar sempre de mãos dadas com a luz e o amor por outros tantos atalhos que surgirão...
E para quem se arriscar, boa viagem rumo aos seus atalhos!

Related Posts with Thumbnails

O Que Você Procura no Amigo da Sofia?