E pode haver em um único sol

Milhões de horas

Para a poesia que aflora

Transformar o meu espírito...

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Flor Rara

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A estrada estava vazia. Secundária. Sempre esteve. Estivera. Somente a poeira viajava. Por ali. Somente. Raramente. A poeira precisa do vento. O vento. Seu sopro. Este não passava ali. Nunca. Manhã. Sol ainda embrião. Matagal. Gigantesco. Somente o verde. O verde. Somente. Mais um dia. Outro. Idêntico. Igual aos outros. Ali seria. Sempre. Naquele lugar. Igualzinho. Quase. Não fosse uma diferença. Apenas uma. Broto. Um. Minúsculo. A luta para viver. Sobreviver. Existir. A vida. Inventando caminhos. Caminhos há. Haverá sempre. A eclosão. A flor estrangeira. Não era o seu lugar. Não era. Não tinha que nascer ali. Naquele lugar. Naquele chão. Não tinha. Ou tinha? Mas, logo ali! Ali. Não podia vencer. Não podia. Não ali. Não teria chance alguma. Quando semente viajara. Sem saber. Um pássaro distraído. Distração. Uma semente. No bico. Sem perceber. Sem limpar-se. Adequadamente. Mas, era um pássaro. Bico. Semente. Um resto. Resquício de refeição. Era o que era. Caída. Se fosse um anjo perderia suas asas. Asas não. Não teria. Não mais. Anjo. Não era. Era flor. Em semente. A potência aristotélica. Flor. Ainda guardada. Na semente. Mas, flor. Já era. A terra. A terra acolheu. Contrariada. Isso é verdade. Contrariada. Resmungando. Mas, aqueceu. Compaixão maternal. Mater. Mãe que era. Sempre fora. De todos. A semente chocou. Nasceu. Sem volta. Sem escolha. Quem a admiraria? Sua beleza. Solitária. Quem tentaria roubá-la? Presente. Para alguma namorada. Amante. Qual! Ninguém. Ninguém passa. Não ali. Nascera logo ali. Caminho sem destino. Ninguém. As raízes fundas. Profundidade. Sugando. Força. Terra seca. Como conseguiria? Melhor secar. Melhor morrer. Sem florescer mesmo. Mesmo. Precocemente. Jovem. Sem amadurecer. Prematura. Como fazer? Deixar o tempo agir. O tempo. Sua ação. E a espera. Mas, jovem não tem paciência. Nenhuma. Melhor ocupar-se. Senão o tédio vem. O tédio. Chega. Pra valer. Ainda mais jovem. Prematuro. Distração. Se, ao menos, alguém passasse. Por ali. Ninguém passa. Alguém. Não precisava ser sempre. Sempre. Constantemente. Diariamente. Cotidianamente. Isso também a entediaria. Rotina. Maldita rotina. Maldita. Só passar. Um aqui. Outro acolá. Somente para ver. Ver. Apenas. A flor queria ver. Alguém. Que nunca vira. Nunca viera. Viera. Não. Nunca. Um ser diferente. Dela. Ela. Criança. Impaciente. Sempre. Constantemente. Já contara todas as folhas. Ao redor. Três árvores. Era o que via. A sua volta. Três. Enormes. Árvores. Cada folha que caia. Acontecimento. Fenômeno. A natureza trabalhando. O chão alimentado. Chão. Alimento. Ela alimentada. Adubo. Ela fazia parte daquele lugar. Parte. Pequena. Fazia. Mesmo colorida. Colorida. Meio destoante. Completamente. E jovem. Ainda por cima. Plena. Crescendo. Sempre. Diariamente. Jovem. Ainda. Feito todos os brotos. Que não existiam ali. Não. Pueril. Ainda sem espinhos. Nenhum. Não precisava. Ainda não. A vida. Não tinha lhe mostrado os dentes. Ainda. Não tinha. Os dentes. As presas. As garras afiadas. Pra que espinhos? Não tinha ninguém para espetar. Não precisava. Espinhos. Nunca nasceram. Ela não deixou. Não queria. Não usaria. Não. Não nasceu. Nenhum espinho. Mas, a flor sim. No lugar mais inóspito. Em meio à solidão. À inércia. Ao ciúme. Árvores velhas. Ciumentas. Mas, ainda havia uma flor. Ali. Por quê? Sei Lá! Tem que perguntar a ela. Quem vai saber. Respostas. Não havia. Ela. Flor. Criança. Perdida. Solitária. Esquecida. Desconhecida. Mesmo sem ser lembrada. Não havia mais nada. Nada. Só a flor. Sua beleza. E o resto. Flor e horizonte. Destoante. Fatores adversos. Alem. Avessos. Alimentaram-na. A flor. A única flor. Única. Corajosa. Incoerente. Jovem. Com atitude. Com escolha. Sua. Viver. Ela escolheu. Vida! Imprudência. Quanto tempo resistiria? Resistiria? Pra que saber? Bobeira. Irrelevante. Não importa quanto. Importa como. A flor nasceu. Feito o sol. Sem ninguém olhar. Ninguém soube. Quem presenciou? Mesmo assim. Ele vem. Todos os dias. Ela também viria. Sem ninguém olhar. Sem valor. Valor. Imenso valor. Decidiu que sim. Valor. Está dentro. Entendeu. A flor. O sol. Sabem. Quem são. A que vieram. Vieram. Porque estão. Mesmo sem ninguém. O sol e seus raios. A flor e suas fragrâncias. Suas pétalas. Para ninguém. Além dela... Perfumes! De amor. Amor raro. Amor. Amor a si! Amor por tudo o que é. Tudo. Amor de si... Para si! Próprio. Próprio o amor. Amor próprio. Flor de amor. Rara flor. Raro amor... Flor de amor próprio amor.


7 comentários:

  1. Olá Sweetheart =)

    Estarrecida =o
    Boquiaberta =o
    Muda =o
    Eutanásia dos comentários =o
    Já falei que tu és um "tarado das letras",e vive a desnudar as coitadinhas em pleno vento outonal...

    Um flor rara pra ti tb...Daquelas que nunca morrem!

    Beijokas

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  2. Amigo Sideral,meus parabéns!Esta tua prosa-poesia, ou poesia-prosa, traz requintes prazerosos à sensibilidade da minha alma!Ao ler-te vejo palavras tranformando-se em jóias,fulgurantes como estrelas brotando do escrínio veludoso da Noite...Ler-te é transpor um portal mágico, vai-se para outra dimensão:a do Sonho!Roubas um pouco de mim a cada palavra que leio...Fico aprisionada neste círculo mágico que crias a cada momento de beleza! Elfo feiticeiro, transformas o mundo sem graça do monocromático cotidiano em paisagens de lendas encantadas!Por tudo isto,te agradeço!Bjo!

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  3. Meu Deus,que palavras!
    Você consegue fazer qualquer um vidrar na tela.
    Parabéns!

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  4. Boa noite!!

    Quando tua alma
    Parecer pequena,
    Mesmo quando achar
    Que amar não mais vale a pena,
    Abra teu coração!
    E quando a noite chegar
    E a solidão te alcançar,
    Ainda assim, eu peço,
    Abra teu coração!
    Vou te contar um segredo:
    Um coração
    Só abre por dentro
    E só o dono tem a chave!
    E se ele se fecha ou se abre
    Depende unicamente de ti.
    Abra!
    Tire as mágoas,
    Jogue fora as tristezas,
    Deixe somente doces lembranças
    E faça um lugarzinho
    Pra acolher as belezas
    Que a vida te reserva.
    Tenho certeza
    Que a ternura vai fluir.
    Teu coração renovado
    Será fonte de alegria,
    E será maravilhoso te ver sorrir.

    Letícia Thompson

    Deus abençoe sua semana!
    Beijos

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  5. "Perfumes! De amor."
    Amor pelo qual vale a vida
    e quanto a exaltaste nesta
    tua Maravilhosa prosa!!!
    Inda que só, insistir...
    E, sem espinhos, permanecer!!!

    Para se pensar... E muito,
    Amigo Whesley!!!
    Obrigada pela edificante
    e bela leitura!!!

    Beijos no coração, viu!!!
    Iza

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  6. É prosa?É poesia?Ou será prosa poética?E o jogo de palavras...perfeito,hipnotizante...

    Uma beleza,um estilo perfeição,um prazer em se ler!!!

    Um beijo!Sonia Regina.

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  7. Olá, fiquei surpreendido com o seu blogue e agora percebo porque a Shin Tao aprecia tanto.

    Só para informar que na quarta-feira, (dia 29, às 00:01) a Shin Tao do «Grimoire», na entrevista que concedeu ao «Cova do urso», incluiu este seu blog entre os que ela prefere na blogoesfera.

    Abraço
    António

    Endereço do «Grimoire»:
    http://grimoiredomago.blogspot.com/

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